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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Anarquia em Quadrinhos

Após a tempestade das eleições, Obama sendo mais pop que o papa, uma crise punk e trechos new age, em um volume decadente, da preocupação sócio-ambiental, temas rasteiros voltam a surgir. Aproveitando o ano que as HQs poderão aumentar sua valorização cultural, devido a adaptação (apesar do repúdio a adaptações de seu criador principal, o roteirista Alan Moore) para o cinema da única obra do gênero que ganhou um Hugo, prêmio de Literatura mundialmente famoso, e outros prêmios específicos, como Kirby e Eisner, deixando uma bela cicatriz na mentalidade psico-social interna/externa da nona arte. Assim, descontstruindo idéias, surge um tema: Anarquia (o importante aqui é que para compreender a fundo a teoria aqui destilada é preciso deixar de lado, mesmo que por um momento, crenças e preconceitos pessoais).

Para entender a base disto, precisamos analisar um pouco outros "ismos". No comunismo ou Marxismo, de Karl Marx e seus seguidores (Leninismo, Trotskismo, Luxemburguismo), o poder dos meios de produção seriam passados para o proletariado, ou seja, para a classe de trabalhadores. Porém haveria uma transição do capitalismo para comunismo, criando uma etapa da ditadura do proletariado, o socialismo, onde o Estado seria tomado e dirigido por estes, até se equilibrar para, no final, extinguir esse Estado e classes sociais. Assim, apesar da teoria, a prática é extremamente repressora, como os exemplos até hoje vivenciados, se auto-contrariando com uma forma de poder ainda existente.

O capitalismo ainda sobrevive, de forma que não nasceu da teoria e sim de uma prática histórica, darwiniana antes de Darwin, de sobrevivência dos mais fortes e da hierarquia destes. Apesar disso acaba sendo (auto)conservador com seu Estado, controlando a sociedade pelos seus três porquinhos, poderes: executivo, legislativo e judiciário. Porém quando o guia desta cadeia alimentar (como os EUA) abala o seu nicho, todo o habitat se desestabiliza, como um castelo de cartas ou um daqueles jogos em qua você monta uma torre com retangulos compridos de madeira e vai tirando um.


No anarquismo este estado seria destruido de primeira, de forma que niguém dite as regras, influenciando-as a surgirem naturalmente, como um quebra-cabeça complexo, porém, com cada peça em seu devido lugar. A grande aldeia global, proposta por McLuhan, já prevê uma certa anarquia. Sem o controle da informação, o acesso curtural aberto a todos, como uma teia de aranha, o que a web está proporcionando, constelações. Seria a solução de todos problemas políticos (sociais, econômicos e educacionais), onde decisões coletivas seriam incentivadas pelas suas reais importâncias e não pela fé cega em promessas.


Se pensarmos em religião, percebemos que o monoteísmo ou o cristianismo também atende, propositalmente ou não, ao capitalismo, de forma a criar essa hierarquia, obiência ditatorial imposta pelas cruzadas e dogmas. A idéia não é criticar a existência ou não de Deus, mas sim esse simplicismo histórico de um panteão de Deuses em um único, onde diminui-se a intimidade com a divindade reduzindo-a e confiando-a a uma pessoa que não tem uma relação Xamânica ou sobrenatural com esta.


Antes de entrar aos quadrinhos, idéia proposta pelo título, algumas frases de Mikhail Bakunin, um dos teóricos anarquistas:

"Se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir"
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"A paixão pela destruição é uma paixão criativa".

"A liberdade do outro estende a minha ao infinito"
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"É melhor a ausência de luz do que uma luz trêmula e incerta, servindo apenas para extraviar aqueles que a seguem".

Para ilustrar tudo isso, fechar o ciclo, duas notáveis obras dos quadrinhos, que, apesar de terem sido "seladas" com o gênero de ficção, espressam muito em suas entre-linhas: V de Vingança e Os Invisíveis.


V for Vendetta, ou V de Vingança, é situado num passado futurista (uma espécie de passado alternativo), numa realidade em que um partido de cunho totalitário ascende ao poder após uma guerra nuclear. A semelhança com o regime Nazista é inevitável devido ao fato do governo ter o controle sobre a mídia, a existência de uma polícia secreta, campos de concentração para minorias raciais e sexuais, muito perto do que pensou Hannah Arendt no seu livro "Origens do totalitarismo" de 1951. Existe também um sistema de monitoramento feito por câmeras nos moldes de "1984", de George Orwell, escrito em 1948. (Na época, o CCTV ainda não existia tal como o é hoje na Inglaterra quando a obra foi escrita).


Apesar do sistema Totalitário ser definido por vários autores, como Hannah Arendt pensou. A história em quadrinho obra foi escrita num momento histórico que a Inglaterra, estava implementando o sistema Capitalista Neoliberal com a primeira ministra Margaret Thatcher. Ao mesmo tempo o "Socialismo Real" da extinta U.R.S.S. (atual Rússia), estava em total descredito devido aos horrores do Stalinismo.

O que abre a perspectiva para "V", (codi)nome do protagnista, ter uma postura anarquista, pois como definiu tanto Enrico Malatesta no seu livro "Escritos revolucionários" e outros anarquistas, como o já visto Mikhail Bakunin, Pierre Joseph Proudhon, Max Stirner, Emma Goldman, Piotr Kropotkin e Henry David Thoreau; o Estado é limitador da Liberdade, sendo assim todo Estado passa a ser Totalitário. Vale lembrar que a obra foi escrita entre 1982-1988, o que fez dela mais genial que o filme-adaptação, quando algumas idéias já estavam desgastadas por ter sido lançado em 2006.


Definir Os Invisíveis, de Grant Morrison, seria um pouco complicado. Eles, uma antiga sociedade secreta de anarquistas terroristas em busca da evolução da humanidade, estão por aí, invisíveis para todos aqueles que não querem ver, participando de uma longa e secreta guerra contra a opressão, não só física quanto mental. Você vai ver cabeças proféticas decepadas, a vida através dos olhos de pombos, conversas entre deuses mortos e deuses inventados, granadas, perversão sexual e a mais pura violência.

Os integrantes dos Invisíveis são tão realistas quanto abstratos, como um hooligan com poderes psíquicos, uma policial nova-iorquina, um telepata vindo do futuro, um anarquista capaz de projetar-se no espaço e tempo e um poderoso xamã travesti (ou hermafrodita: ninguém ainda sabe) vindo do Rio de Janeiro.


Quem acreditou que Matrix é revolucionário por ser original, enganou-se. Matrix é, talvez, um dos maiores Milk-Shakes cinematográficos da história do cinema: desenhos japoneses, quadrinhos americanos, filosofia, artes-marciais já existiam em Os Invisíveis. Mas, nesta série, os verdadeiros ingredientes para esta salada-mista são as ordens templárias, a Teoria do Caos, maçonaria, psicologia, seitas místicas e tudo o que você pode pensar que jamais existiu de lunático na Terra.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Folha Explica: O Marketing Eleitoral

No livro "O Marketing Eleitoral" o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, mestre em comunicação pela Michigan State University (EUA), livre-docente pela ECA-USP, ex-correspondente da Folha em Washington e atual ombudsman do jornal, diz que, depois de colher informações sobre o assunto desde 1975, o marketing eleitoral no Brasil é, no que se refere às técnicas que emprega, um dos mais avançados do mundo. Mas Silva defende a tese de que o marketing eleitoral não é fundamental nem prioritário na decisão do eleitor pelo seu candidato. O capítulo de introdução do livro pode ser lido abaixo.
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INTRODUÇÃO
Nos 17 anos que se seguiram à primeira eleição de governadores de estado pelo sufrágio universal após o golpe militar de 1964, a importância atribuída pela opinião pública ao que se convencionou chamar de 'marketing político' só cresceu no Brasil.
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Entre 1965 (quando a vitória da oposição ao novo regime na Guanabara e em Minas Gerais, dois num total de 11 estados, justificou o fim das eleições diretas para governos estaduais por quase duas décadas) e 1982, os principais cargos eletivos do Poder Executivo (presidente da República, governadores de estado e prefeitos de capitais e cidades de áreas de 'segurança nacional') foram preenchidos por nomeação militar referendada por colégios eleitorais sem representatividade nem legitimidade; nos pleitos para vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, as restrições impostas ao livre acesso do candidato a seus eleitores via meios de comunicação eram tamanhas que não se podia falar de algo remotamente similar a marketing político no sentido atual.
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Antes do movimento que depôs o presidente João Goulart, os meios de comunicação de massa --em especial a televisão-- ainda não tinham atingido universalmente o país como aconteceria dos anos 1970 em diante, circunstância que também impedia chamar de marketing político as atividades então exercidas para atrair eleitores, ao menos do modo que o conceito é atualmente entendido.
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Como será visto adiante, isso não significa que até 1982 não se tivessem feito no Brasil esforços conscientes para influenciar a opinião pública em favor de pessoas, idéias ou organizações atuantes na vida política - uma das definições possíveis de marketing político, que ocorria por meios diferentes dos atuais, não tinha a denominação de agora nem merecia tanta proeminência como atualmente. Mas existia.
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O objetivo deste trabalho é rever a literatura disponível sobre o assunto, discutir o conceito e os modos de que ele vem sendo empregado, em especial no Brasil, descrever a evolução histórica das atividades que o definem e desafiar crenças correntes, como a de que a sua prática faz da democracia representativa uma farsa ou a de que o especialista em marketing é capaz de 'fazer e desfazer' uma eleição. Na conclusão, o autor se permite expressar algumas opiniões individuais, fundamentadas nas evidências expostas.
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As convicções sobre o poder incomensurável do marketing estão de tal forma disseminadas que influentes jornalistas chegam a sugerir --com sarcasmo, mas também um quê de seriedade-- o lançamento de candidaturas de especialistas em comunicação para funções públicas: 'chega de intermediários, um marqueteiro no Planalto'.1
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Não que o marketing político seja irrelevante. Se, por estimativas conservadoras, o processo eleitoral consome, num ano como o de 2002 (em que presidente, governadores e integrantes do Congresso e das Assembléias Legislativas são escolhidos), quantias que vão de 0,5% a 1% do PIB, e se a quase totalidade desse dinheiro é gasta em atividades de marketing, é porque elas devem ter algum papel na definição dos resultados.
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Mas também é provável que no Brasil se esteja dando a elas mais importância do que mereçam. É do interesse do próprio profissional da área supervalorizar sua capacidade de definir o resultado das urnas. Embora muitos marqueteiros neguem, em público, a condição de magos que lhes vem sendo conferida, é evidente que ela beneficia seus negócios. Também é do interesse do eleitor atribuir a outrem a responsabilidade por eventuais erros de decisão, quando um eleito se revela, no poder, incompetente ou corrupto. Portanto, atribuir ao marketing político mais influência do que tem é conveniente tanto para o marqueteiro (que assim valoriza o seu trabalho) quanto para o cidadão (que assim tem à mão um convincente bode expiatório sempre que a ocasião o exija).
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O cientista político David Samuels, da Universidade de Minnesota, concluiu em estudo ainda inédito que a campanha para eleger um presidente brasileiro --em números absolutos-- custa mais do que a de um presidente americano. Por exemplo, Fernando Henrique Cardoso gastou em 1994 US$ 41 milhões, e Bill Clinton em 1992, US$ 43 milhões (mas no Brasil o principal item de custos da campanha americana - compra de espaço publicitário em rádio e TV - é gratuito; portanto, FHC gastou bem mais do que Clinton).2 É bastante possível que nos EUA, onde o marketing político tem muito mais tradição e é muito mais estudado do que aqui, e onde o princípio cultural de conhecer bem a relação custo/benefício e obedecê-la antes de fazer investimento é quase axiomática, as verbas com marketing sejam gastas com mais discernimento do que no Brasil.
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No entanto, as largas quantias despendidas nessas atividades em qualquer país onde se realizam eleições são indicativas de um grande poder, pelo menos presumido. Ninguém em sã consciência rasga dinheiro. As hipóteses que aqui se pretende demonstrar como corretas são que esse poder do marketing político não é tão absoluto como muitos supõem, que seu efeito corruptor no processo eleitoral não é necessariamente maior nem pior do que o de outras práticas realizadas no passado (e ainda atualmente) e que o cidadão eleitor não é tão manipulável pelas técnicas de propaganda política quanto parece ser presa fácil (e não o é necessariamente) das de publicidade comercial.
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Ao menos nas sociedades complexas contemporâneas, não há eleição pura e perfeita, livre de influências espúrias. Como argumenta Otavio Frias Filho: 'Qualquer pessoa informada sabe que o eleitorado só decide nominalmente na democracia, aqui ou onde for. Na realidade, e nem poderia ser diferente, o sistema político oferece ao eleitor um cardápio pronto. Seu direito de opção é a seguir manietado por influências poderosas como o peso da máquina e sobretudo o poder do dinheiro ilícito'.3 No Brasil, a apuração com o bico-de-pena, o 'eleitor-fósforo', o voto de cabresto, o curral eleitoral, o votante-fantasma provavelmente tiveram (e práticas comparáveis talvez ainda tenham) papel mais preponderante do que as atuais pesquisas de intenção de voto, programas e anúncios de rádio e TV e outdoors de campanha. Nos EUA, modelo --por merecimento indiscutível - de sociedade com sistema de democracia representativa, não é preciso buscar pleitos longe no passado (basta examinar o de 2000, que pôs George W. Bush na Casa Branca)4 para descobrir situações em que a legitimidade das eleições mais importantes do país - e do mundo - é colocada em dúvida sem grande esforço.
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Se não pode tanto quanto se crê, quanto pode o marketing político? O marketing, segundo o psicólogo Curtis P. Haugtvedt, da Ohio State University, é um conjunto de esforços concebidos para 'criar, manter ou aumentar sentimentos e comportamentos positivos em relação a alguma pessoa, assunto ou objeto'.5 O mesmo autor, que trata do marketing comercial, procura demonstrar a complexidade do processo psicossocial que leva o consumidor a escolher um dentre muitos produtos de um mesmo gênero. Além de milhares de logotipos, faixas, outdoors, peças publicitárias em rádio, TV e cinema, malas diretas, telemarketing, merchandising em obras de ficção no cinema e na TV, há uma infinidade de motivações e valores individuais, criados e nutridos nos grupos sociais primários, e influências interpessoais cujo peso relativo na decisão final do comprador é quase impossível estimar com mínima precisão. Grupos de pessoas, ou mesmo cada uma delas isoladamente, podem buscar os mais diversos atributos num só produto ou preferi-lo por diversas razões, às vezes bastante racionais, outras vezes absolutamente aleatórias.
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Um dos muitos lugares-comuns empregados para atacar o marketing político é a suposição de que ele transforma o candidato em sabonete. Essa acusação subestima até o mais baixo ponto a capacidade de raciocinar do cidadão. Apenas uma pessoa imbecilizada escolheria um governante com os mesmos critérios com que elege a marca de seu sabonete.
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Os eleitores brasileiros já deram mostras suficientes de que não se deixam iludir com facilidade, e a ciência política nacional já produziu literatura suficiente para demonstrar que o comportamento eleitoral dos brasileiros por região, estrato social e outras variáveis demográficas, econômicas, ideológicas, geográficas e sociais é consistente e, até certo ponto, previsível, garantidas as 'condições normais de temperatura e pressão'.
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Para não gastar muito espaço com exemplos, basta lembrar as duas vitórias de Leonel Brizola para o governo do Rio de Janeiro (em 1982 e 1990), apesar do empenho obstinado de quase todos os meios de comunicação de massa importantes naquele estado e do pequeno tempo de que seu partido dispunha no horário eleitoral gratuito comparado com o de seus principais adversários (sem contar o estilo retórico antiquado, quase arcaico em termos de marketing político, do candidato em sua campanha, inclusive a televisiva).
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A eleição de Fernando Collor de Mello para a Presidência da República em 1989 é com freqüência citada como prova de que um candidato vazio de substância e de representatividade social pode ser construído como puro produto de marketing e acabar eleito para o mais alto cargo da nação. Como este autor procurou demonstrar em outro trabalho,6 não foi isso o que realmente aconteceu.
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Collor, de fato, valeu-se dos dispositivos legais que garantem tempo na TV e rádio a qualquer legenda partidária (mesmo as ostensivamente criadas para serem alugadas) --pretensamente democráticos, mas de fato demagógicos e deletérios aos interesses nacionais--, para aparecer em três programas eleitorais gratuitos destinados a partidos de conveniência dos quais se apropriara (PRN, PTR e PSC). Entre 30 de março e 18 de maio de 1989, ele apareceu na TV em apresentações indiscutivelmente bem concebidas e realizadas, e conseguiu pular nas pesquisas de intenção de voto de virtual zero para 40%.
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Não há dúvida de que esses produtos de marketing contribuíram grandemente para a eventual vitória de Collor. No entanto, se as propostas do então governador de Alagoas não tivessem correspondido às expectativas do grosso do eleitorado, ele poderia ter aparecido dezenas de vezes mais na TV sem que isso resultasse em ganho eleitoral.
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O personagem --desconhecido, carismático e com discurso anti-establishment-- ganhou súbita notoriedade. E, como a literatura sobre os efeitos dos meios de comunicação de massa comprova há pelo menos cinco décadas, quanto mais um assunto é ignorado pelo público, maior a possibilidade de as pessoas, num primeiro momento, se deixarem convencer por aquilo que os meios dizem a seu respeito.
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Depois que Collor se tornou mais conhecido, o efeito positivo de sua imagem como alguém novo diminuiu; seu índice nas pesquisas de intenção de voto despencou. A partir de 15 de setembro, quando os 22 candidatos presidenciais passaram a aparecer no rádio e na TV com tempo proporcional à bancada de seus partidos no Congresso, as intenções de voto em Collor caíram do patamar anterior para níveis compatíveis com sua expressão política.
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Se tempo de exposição na TV e no rádio ganhasse eleição, Ulysses Guimarães (PMDB), com mais que o dobro de minutos diários de mídia eletrônica que Collor e Lula juntos, deveria ter acabado pelo menos como um dos finalistas no segundo turno. Supostamente ao lado de Aureliano Chaves (PFL), que tinha mais de 60% mais que o tempo colocado à disposição de Collor e Lula. A campanha de marketing de Ulysses gastou 13 vezes mais em recursos que a de Collor e 100 vezes mais que a de Lula. No entanto, Ulysses terminou em sétimo lugar, com 4,4% dos votos, e Aureliano em nono, com 0,83%. Para a fase final, foram os candidatos do PT (16%) e do PRN (28,5%).
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Seu êxito se deveu menos ao marketing e mais ao conteúdo da mensagem que eles, sincera ou hipocritamente, passavam: de oposição ao estado de coisas vigente, de novidade, de reforma social. O que definiu a vitória de Collor pode ter sido o preconceito de classe, o fraco desempenho de Lula no segundo debate entre os dois (talvez causado pelo abalo psicológico que a revelação do caso Lurian --sua filha de uma relação fora do casamento-- lhe causara), o conservadorismo e a despolitização da maioria do eleitorado, a identificação entre muitos eleitores com a bandeira anticorrupção tão brandida pelo candidato do PRN, sua simples e ostensiva demagogia, a 'onda conservadora' pelo mundo afora (comandada por Thatcher e Reagan). Ou todos esses fatores (e ainda outros) juntos. Inclusive a eficiente campanha de marketing político que lhe prepararam seus assessores.
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Com certeza, no entanto, não foi a novela "Que Rei Sou Eu?", que muitos críticos adeptos de teorias conspiratórias enxergaram como apoio sub-reptício à sua campanha. Nem a simpatia pela candidatura Collor de vários veículos de comunicação de massa. Nem a qualidade telegênica dos seus programas eleitorais. O mundo da política é muito mais complexo do que a teoria segundo a qual marketing é uma atividade mágica que decide eleições. Este é o cerne da tese que se vai tentar comprovar nas próximas páginas.
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1. Elio Gaspari, 'Nizan Guanaes Para Presidente'. Folha de S.Paulo, 19/12/2001.2. Apud Carolina Juliano e Cristina R. Durán, 'As Cédulas da Eleição Eletrônica'. Valor Econômico, 25/1/2002.3. Otavio Frias Filho, 'Enquanto É Tempo'. Folha de S.Paulo, 14/3/2002.4. A eleição presidencial de 2000 foi a mais conturbada da história dos EUA. Seu resultado só foi definido 36 dias depois do pleito e como resultado de intensa luta judicial, resolvida pela Suprema Corte do país (cinco votos a quatro), a respeito da validade de algumas dezenas de milhares de cédulas eleitorais no estado da Flórida. Os dois candidatos - George W. Bush e Al Gore - trocaram acusações de fraude em diversos distritos eleitorais da Flórida e em outros estados.5. Curtis P. Haugtvedt, 'What Do People Really Want?'. Future, 1 (2001); p. 17-8. Todas as traduções citadas no texto são de minha autoria, exceto quando indicado.6. Carlos Eduardo Lins da Silva. 'The Brazilian Case: Manipulation by the Media?'. Em: Thomas E. Skidmore (ed.), Television, Politics and the Transition to Democracy in Latin America. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1993; p. 138-44.
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Autor: Carlos Eduardo Lins da Silva
Editora: PublifolhaPáginas: 96
Quanto: R$ 17,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou no site da Publifolha
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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Política e Sumô

" Não sou maluco por política. Acontece que a política é um dos dois esportes de arena para o qual eu tenho tempo. O outro é o sumo. Esporte maravilhoso. Cerimônia intrincada e bela. Brutal, brilhante e barulhento. O ritual mais antigo e refinado. Então, com o estalar de dedos, a aterradora trombada de cabeça, a luta para segurar o outro, segundos duros de uma luta que é igualmente dividida entre inteligência, força e montanhas de gordura... e então acabou. Um dos dois acaba pisando fora do círculo, ou alguma outra forma de expulsão que se resume a tapas que caem como raios, ou o gordo maldito simplesmente desaba no chão. O sumo é belo e cruelmente breve, como as borboletas.
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Na minha cabeça, o sumô andou mudando nos últimos anos. A habilidade está desaparecendo. Os lutadores de sumo de maior sucesso são aqueles que possuem um peso assustadoramente grande e que se contentam em tacar o outro cara para fora sem graciosidade ou inteligência. Estou inclinado a inferir em uma conexão, embora etérea e metafórica, entre o sumo contemporâneo e a política do pós-guerra. Eu sei... mas me perturba, mesmo assim.
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O esquisito é que, obviamente, eu acho que amo a política moderna mais que eu seria capaz de amar seus ancestrais mais educados. Poder ouvir os debates públicos de Abraham Lincoln sobre determinada política durante horas seria maravilhoso, tenho certeza. Mas não tão divertido. Ouvir um Carville, um Stephanopoulos ou aquele contador satanista do Mandelson tentar reduzir uma plataforma política complexa numa música de ciranda é muito mais divertido, e mais educativo. A habilidade se foi, entende? E agora tudo o que sobrou é JOGUE O OUTRO CARA PARA FORA DO RINGUE O MAIS DEPRESSA POSSÍVEL.
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A política é o maior esporte de arena dos anos noventa, e tenho certeza de que se tornará o maior esporte dos zero-zero, ou seja lá como formos chamar a próxima década. Enquanto escrevo isso aqui, toda aquela coisa de Lewinski acabou de explodir e a corte egípcia acabou de reabrir um caso que indicava o Primeiro-Ministro Britânico, Tony Blair, como um co-conspirador no assassinato daquela desgraçada da Diana. Loucura. Blair mal consegue controlar um governo – mal consegue tomar banho sozinho – muito menos uma conspiração assassina. Como Clinton, a sua habilidade especial é se eleger, e nada mais. Clinton nunca parece tão vívido quanto num discurso, e Blair torna-se quase fluorescente quando exposto ao amor de uma audiência. (Existe uma foto de Blair na muito aplaudida conclusão de uma conferência do partido dos trabalhadores, com sua esposa Cherie; enquanto ambos estão no palco recebendo os aplausos, Cherie está sorrindo para Tony, um sorriso conseguimos/vamos vencer/ eu te amo – mas Tony tinha olhos apenas para a audiência, olhos brilhando enquanto ele se embriaga naquele amor, aparentemente sem nem mesmo notar a presença de sua esposa). Daqui, Lewinski parece apropriada, apesar de óbvia falta de bom-gosto, autocontrole e sinceridade de Clinton – Linda Tripp era uma criatura de Nixon, uma suposta infiltradora da campanha de McGovern em 1972 contra o Velho Bastardo. Lewinski está por toda a parte nos jornais e TVs. Blair e o Egito ficaram relegados à última página. Infelizmente, os jornais nunca chegam a cobrir o sumô.
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E creio que isso é o que eu considero interessante, eu acho.
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A justaposição entre a Grande História e os Pequenos Detalhes. Ambas estão mergulhadas no absurdo, ainda mais quando colocadas lado a lado. Os pequenos detalhes dão relevância à mega-notícias. Assim? George McGovern perde feio de Nixon em 1972. Pequeno Detalhe: o obscuro político Tom Eagleton passou por terapias de eletro choque pelo menos em uma ocasião durante os nãos sessenta, dizem que por causa da depressão. Conexão: McGovern nomeou Eagleton seu candidato a Vice-Presidência em 72 sem fazer uma pesquisa extensiva sobre seu passado. E quando o pequeno detalhe é colocado lado a lado com a grande história – sem querer, pelo pessoal dos jornais, que mostraram isso para o pessoal do McGovern, sem sombra de dúvida com grandes sorrisos amarelos estampados na cara. Eagleton passou a maior parte dos anos sessenta entrando e saindo de hospitais psiquiátricos. Apenas para registro público, não como um ataque. Oops.
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A campanha de 1972 foi realmente suja – era o ano de Watergate, não se esqueça – com valor de entretenimento sem paralelos para alguém como eu. Eu não era velho o suficiente para vê-la, mas a história me dá o benefício de vê-la por todos os ângulos, com tempo o suficiente para olhar mais de perto. Não é tão divertido quanto Clint/Bush, mas quer saber? Por acaso alguém se lembra de quão completamente histérico Bush estava durante a campanha, como a incoerência e a tagarelice alcançaram sua densidade terminal no dia em que ele disse para sua platéia que se eles votassem em Clinton “estaremos cobertos de corujas até as orelhas e todos os Americanos estarão desempregados“? Ali estava um homem que acreditava que deveria ser eleito simplesmente porque o país precisava ser guiado por Alguém Como Ele. Política, como esporte de arena; vimos toda sua arrogância quando ele olhou para o relógio durante um debate presidencial transmitido ao vivo pela TV. E ali que ele se ferrou, bem ali. E de novo, Clinton; afastando-se do púlpito para trabalhar a audiência, gentil, aconchegante, brilhando, o cameraman provavelmente pensando que era Natal enquanto fazia closes com ângulo de talk-show dele falando com as pessoas...
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Foi horrivelmente assistível, especialmente porque, em meu estado sensibilizado durante aquela noite, eu continuava a ver Nixon atrás de Clinton. Ambos brilhavam com aquela necessidade flamejante de Ser Eleito. O que Bush não tinha. Bush sentia que Deveria ser eleito, mas ele não Necessitava, não contorcia sua mente e seu corpo e tudo o mais que estivesse em volta dele para o objetivo de ser eleito e nada mais.
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Em algum lugar neste escritório de merda eu tenho uma cópia de um romance muito engraçado de Philip Roth escrito, eu acho, no começo dos anos setenta, chamado Trick’s Gang. Ele conclui com o Presidente Trick E. Dixon fazendo um discurso de candidatura no Inferno. O filme de Oliver Stone foi muito gentil. O final de Trick’s Gang lhe diz tudo o que você precisa saber sobre Nixon.
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O presidente da minha América está concorrendo para um terceiro mandato. Acho que isso diz alguma coisa sobre sua Necessidade. "
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Warren Ellis

Nova Inglaterra

Fevereiro de 1998

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TRANSMETROPOLITAN: As aventuras de Spider Jerusalém - O ano do bastardo parte 1 de 6, e parte 2 de 6.

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

2.0: O Ponto da Largada

Através das eleições 2.0, nos EUA, os jovens, antes alheios ao tema, passam a se interessar pelos debates, uma vez que os políticos migram suas campanhas para a internet em uma batalha virtual pelo “voto” do internauta.
O querido dos EUA, Obama utilizou muito bem as redes sociais desde o ano passado: Flickr, Youtube, Facebook, Myspace foram invadidos pela campanha do candidato.

Além disso ele criou uma newsletter por e-mail quinzenal enviado para milhões de internautas, contando os pilares da candidatura e fornecendo a agenda do presidenciável. Blogs políticos, filmes que retratam pré-candidaturas no YouTube, e outros meios de comunicação via web têm sido algumas das estratégias empregadas para conquistar o coração dos eleitores. Não é a toa, que hoje ele é disparado o candidato querido dos Internet Boomers e do E-old fashions.

A procura tem sido tamanha que o site YouTube criou o canal “YouChoose” onde reúne diversos vídeos de campanhas eleitorais, bem como será palco de uma iniciativa inovadora, aonde serão feitos debates exclusivamente com perguntas enviadas pelo usuário.

Para não ficar atrás do YouTube, sites, como MySpace e Facebook, começam a oferecer aos candidatos páginas específicas e cursos de como criar sites pessoais.

Estas iniciativas servem como exemplo para os políticos que, deveriam sempre procurar novas formas de interagir e estreitar laços com o seu eleitorado.

Na contra mão, Hillary Clinton, imprimiu milhões de panfletos, derrubou algumas arvores e conseguiu produzir um panfleto (veja abaixo) com erros gramaticais! Não é a toa, que no início do ano, perdeu as 10 primárias seguidas:

Original em: Gilgiardelli

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Jingle Político



Abaixo, alguns exemplos de jingles políticos:



Lula 89


Collor


Ciro Gomes


Afif


Brizola


Ulisses


FHC 1994 1º Turno


FHC 1998


Lula 1994


Lula 2002


Lula 2002 - 1º Turno


Lula 2002 - 2º Turno

A Estratégia da Sedução

Durante vários séculos, os homens não precisaram se preocupar muito com a sedução. A "conquista" de uma mulher se fazia pela força - ou por contratos e acordos. Com a esposa devidamente cativada - sempre às voltas com as ocupações domésticas e a criação dos filhos - desaparecia qualquer necessidade de encantamento, se é que isto tenha chegado a existir um dia.

Coube à mulher, para se defender da brutalidade e da ingerência de outros em sua própria vida, desenvolver a sedução como uma arte sofisticada, a forma mais avançada de persuasão e poder. Não físico, mas psicológico. Não de maneira direta e ostensiva, mas com sutileza e astúcia. Cleópatra é o exemplo emblemático: seduziu Júlio Cesar e, depois, Marco Antônio para preservar seu império.

Por volta do século 18, sobretudo em razão do brilho e da importância adquiridos pela vida na Corte, os homens passaram a se interessar pela sedução, como forma de conquistar mulheres jovens. É o período em que se destacam Duque de Lauzun, Casanova (foto) e Don Juan, como grandes sedutores e amantes, versados na arte de fascinar, irresistíveis em seus avanços e estratagemas.
De 1800 em diante, a sedução sobrepuja a relação amorosa e ganha uma dimensão social e política. De qualquer forma, o fenômeno havia sido antecipado na França, no final do século 17, pelo fantástico trabalho de construção da imagem de Luís XIV, o Rei Sol, ainda que de forma limitada pela sociedade da época e pelos recursos técnicos disponíveis.

A partir do século 19, entretanto, políticos e governantes descobriram que a sedução também podia ser exercida em grande escala, especialmente com as massas populares. Napoleão foi, talvez, quem melhor e mais cedo percebeu tal possibilidade e a desenvolveu.

Naquela época, a conquista apoiava-se, basicamente, num tipo de oratória coadjuvada pelo uso inteligente de símbolos - enormes espetáculos e recursos teatrais criavam uma atmosfera carregada de importância e grandeza, em torno da presença física do líder.

O ato político cortejava os ouvidos e a mente (discurso) e os olhos (espetáculo), de maneira a emocionar, envolver e cativar os participantes - a mis-en-scène do carisma.

Ao seduzir as massas, os líderes ganhavam poder sem precisar usar a força. Isto porque a essência da sedução é - como sempre foi - um "jogo psicológico" e não de beleza. Seduzir é usar a gratificação e o prazer como "iscas", manipular as emoções do outro, estimular o desejo - e também a confusão e a incerteza sobre como realizá-lo - e induzir a rendição. Em outras palavras, um "jogo de poder". Os sedutores entendem o enorme potencial contido no ato de entrega à sua vontade. Uma pessoa "apaixonada", por um amante ou por um líder, é alguém que age emocionalmente, que rebaixou seu senso crítico a ponto de eliminá-lo, tornando-se muito sugestionável e facilmente conduzível.

A sedução é, pois, a forma consumada de poder. Os que a ela se submetem, o fazem livremente, com felicidade e de boa vontade. Eles perdoam as desilusões e a manipulação, encarregando-se de encontrar razões que as justifiquem. Os princípios são basicamente os mesmos, tanto na sedução amorosa, quanto na política. Os grandes sedutores não eram e não são, necessariamente, pessoas fisicamente bonitas e atraentes. Entretanto, possuem um "charme" envolvente e irresistível. Sabem criar um clima intrigante em torno de si, são exímios em demonstrar atenção e interesse pela criatura mais importante para você, isto é, você mesmo, e são capazes de transportar as pessoas de sua realidade prosaica para um projeto grandioso, um mundo novo, uma aventura gloriosa.

Nem Napoleão, nem Hitler, nem Mussolini, nem De Gaulle, nem Stalin podiam ser considerados fisicamente atraentes e bonitos. Muito ao contrário: alguns equilibravam-se com muita dificuldade para não serem vistos como ridículos, outros para não serem encarados como banais. Todos eles, entretanto, sabiam administrar o seu "carisma" com muito zelo.

Benito Mussolini: combinação do discurso ultranacionalista, dos gestos teatrais e da ambientação grandiosa seduziu multidões na Itália na metade do século 20

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Cultivavam um mistério sobre suas vidas pessoal e familiar, despertando curiosidade e especulação; vestiam-se de maneira diferente; possuiam uma oratória ajustada a sua época e ao seu público; lançavam mão de espetáculos grandiosos e impactantes, para magnificar sua importância; tinham gestos peculiares, que revelavam força, determinação e coragem; manifestavam preocupação, interesse e dedicação aos governados e à nação; apresentavam suas decisões, invariavelmente, como expressão do interesse nacional; incorporavam a suas imagens atributos como abnegação, amor à pátria, sacrifício, heroísmo e idealismo.

E não foram apenas governantes totalitários - como Hitler, Stalin e Mussolini - que desenvolveram e exerceram a arte de seduzir o povo. Os líderes democráticos também o fizeram e fazem: o próprio De Gaulle, na França, Kennedy, nos EUA, e Collor, no Brasil, são alguns exemplos dessa habilidade.
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Quando o argumento da experiência se volta contra o candidato que o ostenta


Na eleição de 1998, para o Senado, em New York, enfrentaram-se o Senador Al D'Amato, pelo Partido Republicano, e o deputado federal do Partido Democrático, Charles Schumer. D'Amato era o favorito, estava no cargo e contava com muito mais recursos que Schumer para a campanha.

A estratégia de D'Amato estava focada na sua imagem como Senador que lutava incansavelmente pelos interesses do estado de New York e nos resultados de seu trabalho. Ao mesmo tempo, D'Amato começou sua campanha atacando Schumer para ressaltar sua imagem positiva na comparação. O principal ataque de D'Amato era a acusação de que Schumer faltava a muitas votações na Câmara de Deputados. A partir desta acusação, a publicidade de D'Amato procurava abalar a imagem de seu adversário mostrando que quem falta às votações é um tipo de pessoa que não cumpre seus compromissos, que se omite diante de situações arriscadas e não é confiável. A campanha se encaminhava assim, pautada por D'Amato, que tomara a ofensiva e tinha a iniciativa. Abalava a imagem de seu adversário e promovia a sua mostrando as obras e as atividades que, como Senador, havia realizado por New York. Schumer, não podendo competir em tempo de TV com D'Amato, reagiu com spots de 10 segundos, para manter o máximo de presença possível na TV, que veiculavam uma mensagem que concluía sempre com a mesma frase de efeito: "D'Amato: muitas mentiras por muito tempo". A pesquisa que fez sobre D'Amato revelou, entretanto, uma descoberta inesperada. D'Amato havia sido por muitos anos membro de um comitê distrital no qual notabilizou-se por aproximadamente 1.000 casos de ausência às reuniões e votações do comitê. Esta descoberta ocorreu depois que D'Amato já havia explorado por longo tempo a acusação das faltas de Schumer na Câmara. O "timing" não poderia ter sido melhor para Schumer. Se ele tivesse esta informação no início da campanha a teria usado tão logo fosse atacado e o assunto teria sido encerrado. Como não a possuía, D'Amato pode atacá-lo por um longo tempo, dando à acusação uma importância desproporcional como argumento central de campanha. Quando Schumer pode usar a informação sobre o absenteísmo de D'amato, seu impacto foi muito poderoso. Permitiu-lhe ocupar a ofensiva, desqualificou pessoalmente seu oponente e invalidou a maior parte da publicidade de D'Amato. Também criou as condições para Schumer apresentar suas razões para as faltas nas votações e revalidou aquela frase que vinha usando, "D'Amato: muitas mentiras por muito tempo". E tudo isto no meio da campanha. A seguir Schumer realizou o seu comercial mais forte, intitulado Décadas. Nesta peça de 30 segundos, Schumer abalou o outro pilar da estratégia de D'Amato, sua experiência e suas realizações.

Enquanto a câmera passeava sobre recortes de jornais, com notícias negativas sobre D'Amato, um locutor em off listava uma outra versão sobre a carreira dele: seu apoio a aumento de impostos, uma censura do Comitê de Ética do Senado, seu voto para cortar recursos da assistência médica aos pobres e bolsas para estudantes, sua oposição às tentativas de reformas do sistema de financiamento de campanhas eleitorais, entre outras. A última frase da locução surgiu escrita na tela: "D'Amato: muitos erros por muito tempo". O comercial Décadas consolidou a virada da campanha. D'Amato tentou, e no início conseguiu, impor o seu "script", de um político experiente, um Senador consagrado por suas realizações, um homem público identificado com as necessidades do seu povo. Já o seu adversário, um político omisso, irresponsável, sem a experiência necessária para o cargo. O foco da estratégia de D'Amato era na imagem pessoal. Ora, quem ataca a imagem de seu adversário deve estar seguro de que a sua é inatacável e resiste bem a qualquer tentativa de desqualificá-la. Ao conseguir abalar a imagem de quem o atacava, Schumer conseguiu o que todo político deseja numa eleição: fazer com que a sua versão sobre o seu adversário se impusesse perante os eleitores. E foi assim que Schumer venceu a eleição.

Original em: Política para Políticos

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Vida em 5 Atos

Vídeo feito para a matéria psicologia da comunicação, faculdade Ipep Campinas, curso de Radio, Tv e Multimidia 2007:

domingo, 25 de maio de 2008

Clássicos!

Dwight “Ike” Eisenhower, 1952


John F. Kennedy, 1960


Lyndon Johnson, 1964


Ronald Reagan, 1984




George H. W. Bush, 1988




Bill Clinton, 1992


Labour, UK, 1997


George W. Bush, 2004


Claire McCaskill, 2006


Lula da Silva, PT, 2006


Conservatives, UK, 2006/07


Hugo Chavez, 2007

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Política nos Quadrinhos!

Quebrando pré-conceitos, ao entrar no mundo dos Quadrinhos, ou Romances Gráficos, como são chamados na litereatura e na (9ª) arte, percebemos o quanto podem ser comparados como um espelho da sociedade. Na política não poderia ser diferente.
Dos roteiros complexos a versatilidade artística, este gêrero vem marcando a história, criando novas categorias literárias, com uma crítica, das HQs de ficção às realistas-bi(bli)ográficas. Isso sem esquecer que podem ser vistas como um formato inusitado no processo de Marketing, desde tirinhas a conceitualizações institucionais. Abaixo alguns exemplos de algumas em que a política é fundamental, tanto para entender a ficção quanto realidade (clique nas imagens para ampliar e ler uma página!):


Vencedor do Prêmio Pulitzer, Maus, de Art Spiegelman, memoraliza a experiência do Holocausto vivida pelo pai do autor. Retrata os nazistas como gatos, os judeus como ratos, os poloneses como porcos e os americanos como cães:

Watchmen, de Alan Moore, é escrita dentro do contexto político-social dos anos 80, somado ao medo, refletido da Guerra Fria, do Apocalispse Nuclear. O que aconteceria se existissem super-heróis reais? E se um deles fosse uma forma de "Super-Homem" indestrutível? E se este fosse um patriota americano, "funcionário" do governo e tivesse participado nas guerras? E as pessoas consideradas normais, como realmente reagiriam ao perderem seus empregos (policiais e seguranças) para super-heróis?:

Transmetropolitan, de Warren Ellis, conta as aventuras de um jornalista revoltado num futuro manipulado pelas informações, onde se criam mais verdades do que atualmente, principalmente em política e em eleições:

quarta-feira, 21 de maio de 2008

"Che" Guevara na Tua Camiseta...

Alguns cineastas terminaram seus filmes em cima da hora para Cannes, mas nenhum como Steven Soderbergh ("Traffic", "Onze Homens e um Segredo"). O diretor americano terminou aos 45 do segundo tempo o seu épico "Che", sobre o guerrilheiro argentino Che Guevara, estrelado por Benicio del Toro, com quatro horas e meia de duração.
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O filme aportou em Cannes hoje, dia 21, e foi exibido de uma vez só, no fim da tarde - sessões para a imprensa em duas salas ao mesmo tempo em que ocorria a sessão de gala, no Palácio dos Festivais. Havia uma dúvida se a longa duração iria afastar o público, mas o interesse não podia ser maior. As duas sessões de imprensa lotaram depois de formar filas gigantescas; na gala, basta dizer que Madonna e Sharon Stone passaram pelo tapete vermelho do filme.
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"Chê" é dividido em dois filmes, um chamado “The Argentine” e o outro “Guerrilla”. The Argentine” começa com “Che” e um bando de exilados cubanos que se mobilizam, em 1956, contra o regime do ditador Fulgencio Batista, onde junta-se a Fidel Castro (Demián Bachir) e seu irmão Raúl (Rodrigo Santoro) para fazer a Revolução Cubana. Em paralelo à ação em Cuba, o filme costura uma entrevista de Che a uma jornalista americana e alguns de seus discursos virulentos nas Nações Unidas, em Nova York. Já “Guerrilla” mostra a experiência fracassada de fazer a revolução na Bolívia, onde termina morto pelos militares.

Ao ver-se "Che", fica evidente que o filme só está na competição deste ano pela importância política do tema, com a especulação sobre o futuro de Cuba depois do afastamento de Fidel. Soderbergh adota um tom sóbrio demais, com uma clara admiração pelo guerrilheiro, mas sem nenhuma paixão nas cenas - como se as táticas de guerrilha fossem algo cerebral como os lances de xadrez.
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Fora a ironia de ter a história do maior guerrilheiro latino-americano contada por um diretor de Hollywood, ainda que numa produção independente. Fidel certamente vai torcer o nariz.
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