Mostrando postagens com marcador conceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conceito. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

McCain distribui aparelho para encher pneu com nome de Obama

Em meio a uma intensa campanha de ataques e contra-ataques, a equipe do candidato republicano John McCain surpreendeu o público de seu comício em Ohio com a distribuição de um brinde inusitado: um aparelho para encher pneus com a inscrição "Plano de energia de Obama".
*
O presente foi uma provocação dos republicanos à sugestão do democrata Barack Obama de que os eleitores deveriam andar com os pneus bem cheios para reduzir o gasto de combustível.
*
Deixando de lado a exploração de reservas de petróleo, energia nuclear e preço dos combustíveis, McCain e Obama dedicaram-se à pressão dos pneus.
*
Em um evento na noite desta terça-feira, McCain disse não se opor à sugestão de Obama: "E posso mencionar que o senador Obama disse há uns dias que nós deveríamos inflar nossos pneus e eu não discordo".
*
"A Associação Americana de Automóveis recomenda fortemente que façamos isso, mas eu também não penso que este seja um meio de sermos independentes em energia", disse o senador republicano.
*
Com um tom irônico, McCain aproveitou sua visita a uma corrida de motocicletas em Sturgis, Dakota do Sul. "Meu oponente não quer a exploração [das reservas petrolíferas costeiras], ele não quer energia nuclear, ele quer que você infle seus pneus".
*
Nesta quarta-feira, em Ohio, McCain voltou ao tema e criticou Obama por não apoiar inteiramente a energia nuclear como parte de uma ampla solução energética. "Ele está fora da realidade", afirmou.
*
Obama preferiu não tocar diretamente no assunto, mas também não poupou críticas ao rival republicano. "Será interessante ver um debate entre John McCain e John McCain", disse, referindo-se às mudanças de postura do senador por Arizona devido à corrida presidencial.
*
Com a campanha se aproximando das convenções nacionais, quando as candidaturas serão oficializadas e muito provavelmente os nomes dos vice-presidentes serão anunciados, Obama e McCain dedicam quase tanto tempo aos ataques quanto às propostas políticas.
*

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Jingle Político



Abaixo, alguns exemplos de jingles políticos:



Lula 89


Collor


Ciro Gomes


Afif


Brizola


Ulisses


FHC 1994 1º Turno


FHC 1998


Lula 1994


Lula 2002


Lula 2002 - 1º Turno


Lula 2002 - 2º Turno

Estratégia Humorlítica

A campanha negativa, com intuito de desqualificar pessoal, profissional ou politicamente o adversário, tem-se revelado uma arma de campanha muito poderosa, mas cujo uso envolve riscos elevados. O mau uso desta arma volta-se sempre contra quem a utilizou.
Há estudos também que confirmam que o ataque humorístico é lembrado por mais tempo e deixa uma impressão duradoura em quem o assiste.

Uma das formas de reduzir este risco tem sido o humor. Reveste-se o ataque ao adversário num formato humorístico, o que o torna menos agressivo e mais aceitável para o eleitor. O argumento é que o espectador é mais receptivo à informação negativa se ela for apresentada num formato humorístico do que se for exposta de uma maneira direta e agressiva.

Mais que isto, se o ataque humorístico tiver sucesso, fazendo o espectador rir, cria-se, por meio dele, uma cumplicidade entre quem o produz e veicula e quem o assiste e julga-o divertido e adequado.

Implicitamente, o candidato atacado é também ridicularizado, pode tornar-se objeto de zombarias, abalando a seriedade de sua candidatura.

Assim, a mensagem negativa é repassada para o eleitor, que a retém e a rememora espontaneamente, e o autor do ataque consegue evitar o ônus político da sua ação, exatamente pela cumplicidade que estabeleceu com o eleitor. Se o eleitor achou graça, riu, e contou a outros, então perdeu a autoridade moral de censurar quem a fez.

Tudo isto pode ocorrer desde que o "ataque humorístico tenha sucesso". É óbvio que se o ataque for percebido como uma peça de mau gosto, sem graça, injusto e inapropriado, não se estabelece aquela cumplicidade com o expectador, e a vítima do ataque dele se beneficia politicamente.

Um dos primeiros comerciais de ataque com características humorísticas foi produzido por Tony Schwarz, para a campanha de Hubert Humphrey, e dirigido contra Spiro Agnew, companheiro de chapa de Richard Nixon, em 1968, nos EUA. Trata-se de uma peça muito curta, num formato minimalista, mas que se tornou um clássico da publicidade política.

Descrição
A câmara começa focando um aparelho de televisão padrão, fechada nos botões e controles, deixando fora de visão a tela. Ao mesmo tempo ouve-se em off uma risada que se transforma numa incontrolável gargalhada enquanto a câmara move-se para trás permitindo ver a imagem da tela. Enquanto a gargalhada continua aparece na tela a mensagem: "Agnew, para Vice-presidente?" A gargalhada alcança seu ponto máximo no momento em que a mensagem ocupa toda a tela.
A peça termina substituindo aquela mensagem por outra: "Isto seria engraçado se não fosse tão sério."

A mensagem era clara: colocar Spiro Agnew tão próximo dos poderes da Presidência era uma "piada" de mau gosto.

O alvo principal desta peça não era Agnew e sim Nixon, que deveria ser responsabilizado por tão infeliz escolha. No final, Nixon venceu a eleição. Agnew, entretanto, acabou tendo que renunciar a seu mandato para não ser cassado.


Fonte: Política para Políticos

Imaginou?! Então Veja:

Uma questão delicada mal explicada estigmatiza permanentemente a imagem do político

Não importa a natureza da questão - seja de ordem pessoal, política, administrativa ou profissional - se ela for (1) politicamente sensível, isto é, importante para os eleitores, e (2) tiver sido mal explicada e/ou mal resolvida, isto é, seus efeitos políticos não foram eliminados, continuando ativos, ela funcionará como uma bomba de efeito retardado sobre a carreira do político. Não basta que a classe política, amigos, familiares e auxiliares considerem a questão satisfatoriamente resolvida. Somente o eleitor tem o poder de emitir algum julgamento.
Um tema politicamente sensível mal explicado é uma nódoa permanentemente aplicada à imagem do político. Ainda que tenha ocorrido há vários anos, ele tem a propriedade de retornar ao presente, sempre que um conflito ou uma competição criar as condições para um adversário resgatá-lo do esquecimento. Um assunto assim perdura e estigmatiza porque o político não foi capaz de liquidá-lo quando foi levantado pela primeira vez.

Um assunto deixa de ser encerrado por várias razões. Às vezes, porque não há mesmo como liquidá-lo.

O fato imputado, que deu origem à questão, sendo verdadeiro e comprovado, não deixa ao acusado outra alternativa além do reconhecimento sincero do erro, a demonstração de arrependimento e a atitude de quem aprendeu com a falha. Outras vezes, a questão não é esgotada porque o político acredita que o eleitor vai esquecê-la. Ledo engano. Se o tema é politicamente sensível, não será esquecida, "gruda" na imagem do político. Se, por acaso, o eleitor não se lembrar dele, os adversários ou a oposição certamente vão se encarregar de refrescar a lembrança dos cidadãos.

Existem casos em que o político acredita que o eleitor já o perdoou. Pode ser, mas é muito raro. O político, sobretudo na condição de governante, apega-se à ingênua ilusão de que o eleitor, ao comparar aquele erro com todos os acertos da administração, fará um julgamento equilibrado e o absolverá. Para que tal dinâmica funcione, é imprescindível que os benefícios tenham sido muitos e em áreas que alcançaram diretamente os eleitores. Nesta hipótese, é bem possível que os eleitores - embora não esqueçam a falha - a relevem pelo sucesso manifesto do político.

Os "bumerangues" políticos exigem respostas satisfatórias antes que o candidato dispute outro pleito
Não são poucas, entretanto, as situações em que o político, mesmo acertando e liderando as pesquisas, é abandonado pelos eleitores quando seu deslize é ressuscitado durante a campanha eleitoral. E o fazem constrangidos pela pressão que sofrem por parte de familiares e amigos e insatisfeitos com a incapacidade do candidato de encerrar adequadamente a questão. Portanto, nunca é aconselhável apostar no perdão espontâneo do eleitor.

Outras vezes, ainda, o político acredita que as explicações dadas são mais que suficientes e liquidaram o assunto. Pode ser que sim, mas é prudente testar essa interpretação em pesquisas, sobretudo naquelas que são realizadas imediatamente após o ataque ter ocorrido. O que não pode acontecer é o político supor que sua convicção pessoal corresponde necessariamente à da população.

Há, também, situações em que o político recusa-se terminantemente a falar sobre o assunto, seja porque considera que a população já esqueceu, ou o perdoou, ou porque ele já disse o que tinha a dizer. Nestes casos, chega a ser difícil para os auxiliares mais próximos - quando não impossível - tocar no assunto. Cria-se um tabu em torno do tema, um bloqueio, uma censura velada. Falar sobre ele equivale a perturbar o chefe, despertar a sua irritabilidade e, até mesmo, sua hostilidade.

Se a questão perdurar junto à população, de nada adiantará esta postura de intransigência. Mantê-la significa encaminhar-se para o desastre político.

Questões sensíveis mal explicadas ou mal resolvidas são "bumerangues" políticos. Em sua trajetória pelo ar, parece que se afastam para sempre de quem os lançou, para, a partir de um determinado ponto, retornar com toda a força. Enquanto não é proveitoso usar o assunto para desgastar o político, ele permanece latente. Tão logo a conveniência se evidencie, o tema será "desarquivado" e trazido a público, com o estardalhaço conhecido, para desqualificar um governante durante seu mandato ou na próxima disputa eleitoral. Só há uma lição absoluta a retirar desta matéria: questões mal explicadas e mal resolvidas devem ser satisfatoriamente equacionadas - ou seja, liquidadas - antes da próxima eleição.

A Estratégia da Sedução

Durante vários séculos, os homens não precisaram se preocupar muito com a sedução. A "conquista" de uma mulher se fazia pela força - ou por contratos e acordos. Com a esposa devidamente cativada - sempre às voltas com as ocupações domésticas e a criação dos filhos - desaparecia qualquer necessidade de encantamento, se é que isto tenha chegado a existir um dia.

Coube à mulher, para se defender da brutalidade e da ingerência de outros em sua própria vida, desenvolver a sedução como uma arte sofisticada, a forma mais avançada de persuasão e poder. Não físico, mas psicológico. Não de maneira direta e ostensiva, mas com sutileza e astúcia. Cleópatra é o exemplo emblemático: seduziu Júlio Cesar e, depois, Marco Antônio para preservar seu império.

Por volta do século 18, sobretudo em razão do brilho e da importância adquiridos pela vida na Corte, os homens passaram a se interessar pela sedução, como forma de conquistar mulheres jovens. É o período em que se destacam Duque de Lauzun, Casanova (foto) e Don Juan, como grandes sedutores e amantes, versados na arte de fascinar, irresistíveis em seus avanços e estratagemas.
De 1800 em diante, a sedução sobrepuja a relação amorosa e ganha uma dimensão social e política. De qualquer forma, o fenômeno havia sido antecipado na França, no final do século 17, pelo fantástico trabalho de construção da imagem de Luís XIV, o Rei Sol, ainda que de forma limitada pela sociedade da época e pelos recursos técnicos disponíveis.

A partir do século 19, entretanto, políticos e governantes descobriram que a sedução também podia ser exercida em grande escala, especialmente com as massas populares. Napoleão foi, talvez, quem melhor e mais cedo percebeu tal possibilidade e a desenvolveu.

Naquela época, a conquista apoiava-se, basicamente, num tipo de oratória coadjuvada pelo uso inteligente de símbolos - enormes espetáculos e recursos teatrais criavam uma atmosfera carregada de importância e grandeza, em torno da presença física do líder.

O ato político cortejava os ouvidos e a mente (discurso) e os olhos (espetáculo), de maneira a emocionar, envolver e cativar os participantes - a mis-en-scène do carisma.

Ao seduzir as massas, os líderes ganhavam poder sem precisar usar a força. Isto porque a essência da sedução é - como sempre foi - um "jogo psicológico" e não de beleza. Seduzir é usar a gratificação e o prazer como "iscas", manipular as emoções do outro, estimular o desejo - e também a confusão e a incerteza sobre como realizá-lo - e induzir a rendição. Em outras palavras, um "jogo de poder". Os sedutores entendem o enorme potencial contido no ato de entrega à sua vontade. Uma pessoa "apaixonada", por um amante ou por um líder, é alguém que age emocionalmente, que rebaixou seu senso crítico a ponto de eliminá-lo, tornando-se muito sugestionável e facilmente conduzível.

A sedução é, pois, a forma consumada de poder. Os que a ela se submetem, o fazem livremente, com felicidade e de boa vontade. Eles perdoam as desilusões e a manipulação, encarregando-se de encontrar razões que as justifiquem. Os princípios são basicamente os mesmos, tanto na sedução amorosa, quanto na política. Os grandes sedutores não eram e não são, necessariamente, pessoas fisicamente bonitas e atraentes. Entretanto, possuem um "charme" envolvente e irresistível. Sabem criar um clima intrigante em torno de si, são exímios em demonstrar atenção e interesse pela criatura mais importante para você, isto é, você mesmo, e são capazes de transportar as pessoas de sua realidade prosaica para um projeto grandioso, um mundo novo, uma aventura gloriosa.

Nem Napoleão, nem Hitler, nem Mussolini, nem De Gaulle, nem Stalin podiam ser considerados fisicamente atraentes e bonitos. Muito ao contrário: alguns equilibravam-se com muita dificuldade para não serem vistos como ridículos, outros para não serem encarados como banais. Todos eles, entretanto, sabiam administrar o seu "carisma" com muito zelo.

Benito Mussolini: combinação do discurso ultranacionalista, dos gestos teatrais e da ambientação grandiosa seduziu multidões na Itália na metade do século 20

*
Cultivavam um mistério sobre suas vidas pessoal e familiar, despertando curiosidade e especulação; vestiam-se de maneira diferente; possuiam uma oratória ajustada a sua época e ao seu público; lançavam mão de espetáculos grandiosos e impactantes, para magnificar sua importância; tinham gestos peculiares, que revelavam força, determinação e coragem; manifestavam preocupação, interesse e dedicação aos governados e à nação; apresentavam suas decisões, invariavelmente, como expressão do interesse nacional; incorporavam a suas imagens atributos como abnegação, amor à pátria, sacrifício, heroísmo e idealismo.

E não foram apenas governantes totalitários - como Hitler, Stalin e Mussolini - que desenvolveram e exerceram a arte de seduzir o povo. Os líderes democráticos também o fizeram e fazem: o próprio De Gaulle, na França, Kennedy, nos EUA, e Collor, no Brasil, são alguns exemplos dessa habilidade.
...

Quando o argumento da experiência se volta contra o candidato que o ostenta


Na eleição de 1998, para o Senado, em New York, enfrentaram-se o Senador Al D'Amato, pelo Partido Republicano, e o deputado federal do Partido Democrático, Charles Schumer. D'Amato era o favorito, estava no cargo e contava com muito mais recursos que Schumer para a campanha.

A estratégia de D'Amato estava focada na sua imagem como Senador que lutava incansavelmente pelos interesses do estado de New York e nos resultados de seu trabalho. Ao mesmo tempo, D'Amato começou sua campanha atacando Schumer para ressaltar sua imagem positiva na comparação. O principal ataque de D'Amato era a acusação de que Schumer faltava a muitas votações na Câmara de Deputados. A partir desta acusação, a publicidade de D'Amato procurava abalar a imagem de seu adversário mostrando que quem falta às votações é um tipo de pessoa que não cumpre seus compromissos, que se omite diante de situações arriscadas e não é confiável. A campanha se encaminhava assim, pautada por D'Amato, que tomara a ofensiva e tinha a iniciativa. Abalava a imagem de seu adversário e promovia a sua mostrando as obras e as atividades que, como Senador, havia realizado por New York. Schumer, não podendo competir em tempo de TV com D'Amato, reagiu com spots de 10 segundos, para manter o máximo de presença possível na TV, que veiculavam uma mensagem que concluía sempre com a mesma frase de efeito: "D'Amato: muitas mentiras por muito tempo". A pesquisa que fez sobre D'Amato revelou, entretanto, uma descoberta inesperada. D'Amato havia sido por muitos anos membro de um comitê distrital no qual notabilizou-se por aproximadamente 1.000 casos de ausência às reuniões e votações do comitê. Esta descoberta ocorreu depois que D'Amato já havia explorado por longo tempo a acusação das faltas de Schumer na Câmara. O "timing" não poderia ter sido melhor para Schumer. Se ele tivesse esta informação no início da campanha a teria usado tão logo fosse atacado e o assunto teria sido encerrado. Como não a possuía, D'Amato pode atacá-lo por um longo tempo, dando à acusação uma importância desproporcional como argumento central de campanha. Quando Schumer pode usar a informação sobre o absenteísmo de D'amato, seu impacto foi muito poderoso. Permitiu-lhe ocupar a ofensiva, desqualificou pessoalmente seu oponente e invalidou a maior parte da publicidade de D'Amato. Também criou as condições para Schumer apresentar suas razões para as faltas nas votações e revalidou aquela frase que vinha usando, "D'Amato: muitas mentiras por muito tempo". E tudo isto no meio da campanha. A seguir Schumer realizou o seu comercial mais forte, intitulado Décadas. Nesta peça de 30 segundos, Schumer abalou o outro pilar da estratégia de D'Amato, sua experiência e suas realizações.

Enquanto a câmera passeava sobre recortes de jornais, com notícias negativas sobre D'Amato, um locutor em off listava uma outra versão sobre a carreira dele: seu apoio a aumento de impostos, uma censura do Comitê de Ética do Senado, seu voto para cortar recursos da assistência médica aos pobres e bolsas para estudantes, sua oposição às tentativas de reformas do sistema de financiamento de campanhas eleitorais, entre outras. A última frase da locução surgiu escrita na tela: "D'Amato: muitos erros por muito tempo". O comercial Décadas consolidou a virada da campanha. D'Amato tentou, e no início conseguiu, impor o seu "script", de um político experiente, um Senador consagrado por suas realizações, um homem público identificado com as necessidades do seu povo. Já o seu adversário, um político omisso, irresponsável, sem a experiência necessária para o cargo. O foco da estratégia de D'Amato era na imagem pessoal. Ora, quem ataca a imagem de seu adversário deve estar seguro de que a sua é inatacável e resiste bem a qualquer tentativa de desqualificá-la. Ao conseguir abalar a imagem de quem o atacava, Schumer conseguiu o que todo político deseja numa eleição: fazer com que a sua versão sobre o seu adversário se impusesse perante os eleitores. E foi assim que Schumer venceu a eleição.

Original em: Política para Políticos

Empatia e Inteligência

Uma das regras básicas do marketing político fala sobre o comercial de TV. Ele possui diretrizes básicas que o tornam um sucesso. Um bom comercial possui as seguintes características:
*
- Apresentam uma idéia, e apenas uma;
- Não se limitam a dizer a mensagem, mostram visualmente o que querem dizer;
- Usam uma linguagem clara, simples e direta;
- Contam uma história;
- Precisam ter algum atributo (por exemplo, humor ou dramaticidade) que lhes permita abrir espaço por entre a "floresta" de estímulos visuais a que o espectador está submetido;
- Possam ser encapsulados em "time frames" (janelas de tempo) de 15, 30 ou 60 segundos.
*
O apelo à empatia, quando funciona, é sempre muito forte na política. O eleitor quer escolher para seu representante alguém que é diferente dele (por isso é político), e ao mesmo tempo, semelhante a ele (por isso merece seu voto). Por esta razão os candidatos buscam sempre se identificar com os eleitores, adotando as prioridades deles como suas, comungando de seus valores, e aproximando-se deles por meio de sua comunicação, seja pessoal (corpo a corpo) seja midiática (TV, rádio).
*
A dificuldade está em dar credibilidade e autenticidade a esta atitude que, muitas vezes é percebida pelo eleitor como forçada, falsa ou demagógica. Apelos à empatia portanto, devem ser realizados com muito cuidado, e por candidatos nos quais estas características de simpatia, simplicidade e proximidade com o eleitor são naturais e espontâneas. O comercial do "carro velho" , produzido em 1986 para o candidato do estado de Dakota do Sul ao Congresso, Tom Daschle, é um modelo de comercial que faz o apelo da empatia, dentro do curto espaço de 30 segundos.
*

O Comercial
O comercial começa com cenas filmadas em movimento numa rua elegante em Georgetown (Washington). A câmera, ao passar em frente a uma residência de luxo, foca em seqüência carros importados, entre os quais uma BMW e uma enorme limusine, voltando-se depois para a rua e filmando um velho Pontiac que passa queimando óleo.
*
O close da câmera mostra que Tom Daschle está dirigindo o velho Pontiac. Enquanto a cena é apresentada, o locutor em off diz:
*
"Entre os inúmeros BMW e limusines de Washington, este é o velho Pontiac que, desde 1971 vem servindo bem a seu dono. É claro que o carro tem ferrugem e está queimando um pouco de óleo. Mas, depois de 15 anos e 238.000 milhas, Tom Daschle ainda dirige seu velho carro quando vai para o trabalho todos os dias. Talvez ele seja um sentimental, ou, quem sabe um "pão duro"."
*
A câmera focaliza Daschle estacionando, e saindo do carro na frente do edifício do Capitólio (Congresso), enquanto o locutor conclui:
*
"Seja qual for a razão, é muito ruim que o resto de Washington não entenda que um centavo economizado é um centavo ganho"
*
Atente para o fato de que o comercial comunicou uma idéia (que Daschle é econômico enquanto os outros políticos são esbanjadores); sob a forma de uma história (o carro, sua idade, suas condições, os políticos em Washington); mostrou o que o texto dizia com imagens; numa linguagem simples, clara e direta; usando uma forma leve de humor para destacar-se da massa de publicidade (o carro em contraste com os outros, a fumaça do carro queimando óleo); e ainda passou uma mensagem sobre um valor que é muito caro ao americano comum (um centavo economizado é um centavo ganho); tudo isto num comercial de 30 segundos.
*
Quando a peça é bem resolvida, do ponto de vista criativo, e a mensagem é clara, ela pode ser um modelo de comunicação, de custo baixo e tempo reduzido.
*
p.s.: O que não podemos esquecer é a época em que esta idéia pegou, pois hoje, com a história do aquecimento global, a poluição do carro em questão seria considerada!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Governator

Assim é conhecido, comparado ao nome de seu filme "Terminator", Arnold Schwarzenegger no seu segundo mandato com Governador da Califórnia. Abaixo, alguns fragmentos de sua Campanha:









Aqui, a reportagem que saiu na Exame de 26/03/2008, falando sobre "o exterminador que ficou verde", destacando a sustentabilidade ambiental, indispensável tanto para vida quanto para os planos políticos:

terça-feira, 20 de maio de 2008

Psicologia Política

Vasculhando pelo tema política, tentando achar o que ninguém achou, ler o que ninguém leu, no limiar do consciente, passando pelo subconsciente... melhor parar, vai! Isso é impossível, o Cyber Espaço é infinito, sendo comparado até com a Física Quântica por alguns.
*
Voltando ao assunto de consciente e subconsciente, achará as bases tanto para psicologia quanto para psiquiatria. Atrelado a isso, nada melhor para a temática achar uma Revista de Psicologia Política, periódico semestral da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP). Nesta, um destaque especial para um de seus artigos, muito interessante:
*
Este artigo, elaborado por Marcele e Rosane, compara vida e política, mostrando como as duas se relacionam, demostrando serem fundamentais para a sociedade contemporânea.
*
"(...)Vida e política são dois temas protagonistas da paisagem contemporânea, não se pode negar. Políticas de dominação de vida, políticas de liberação de vida, políticas preocupadas com a vida... É uma proliferação discursiva em torno da vida e de suas políticas protetoras que vai desde pautas em plenários internacionais a uma inquietação individual(...)".
*
"(...)Trata-se de pensar com qual tipo de vida a psicologia social está lidando e que vida está produzindo: se está simplesmente buscando enquadrar as pessoas em certas formatações ideais, transcendentes, incentivando-as a buscar uma vida padrão, ou se está trabalhando com outro conceito de vida, menos evidente, porém passível de abertura a inúmeras outras possibilidades(...)".
*
"(...)A psicologia social passa a defender valores universalmente aceitos e inquestionáveis que dizem que a vida está sempre em primeiro lugar. Ela deixa, com isso, de questionar sobre os valores que estariam expressando estas formas de vida, deixando, assim, de problematizá-la. Contudo, quando a psicologia social se encoraja e problematiza a vida, tirando-a dessa evidência natural, passa também a dizer de sua posição política na atualidade. Isso porque problematizar tanto a vida como os modos de produção subjetiva significa não só desmanchar essências naturalizadas mas, também, recusar modos de vida ou de subjetividades que incorporam um assujeitamento e um empobrecimento da experiência(...)".
*
"(...)O conceito de poder é definido pela multiplicidade de relações de forças concernentes ao domínio onde tais forças se exercem (Foucault, 1988:88), o que mostra o quanto o poder é algo presente de maneira emaranhada e difusa em todo o campo social, sendo este definido precisamente pelas forças que contém, pelos jogos, movimentos e direções das mesmas. Aponta-se, assim, à estreita relação existente entre o poder e o próprio campo social, não de uma maneira direta, como se um determinasse o outro, mas de modo que o poder não deixa de acionar forças que, muitas vezes, fazem com que o campo social se mobilize(...)".
*
"(...)Foucault teoriza sobre as condições através das quais a vida veio a ser capturada por essa dimensão política, relacionando-as com uma tecnologia específica de poder que tem como foco principal a vida, tecnologia nomeada “biopoder” (Foucault, 1988:132). Deste modo, podemos dizer que é a partir de certas transformações nas tecnologias de poder que a vida pôde emergir como elemento da política e da história, movimento que diz respeito ao nascimento do biopoder. Tais modificações no âmbito do poder podem ser lidas também como a alteração de um ‘poder de fazer morrer e deixar viver’ para um ‘poder de fazer viver e deixar morrer’ (Foucault, 1999), sendo que este último – inteiramente vinculado ao biopoder – ainda nos afeta e nos incita a uma específica produção discursiva com relação à vida(...)".
*
"(...)Até final do século XVII, início do XVIII, imperou uma forma de poder no qual o soberano detinha como grande privilégio o direito de vida e de morte, podendo matar ou expor seus súditos à morte nas situações em que sua própria defesa estivesse ameaçada. Trata-se de um poder que só é exercido sobre a vida dos subordinados enquanto o soberano é capaz de matá-los. É um poder que se manifesta como subtração, pois está relacionado a um direito de captação e de apropriação da vida dos súditos para extingui-la ou arriscá-la em guerras. Fala-se, então, de um poder negativo sobre a vida, aquele denominado “poder de fazer morrer ou deixar viver” (Foucault, 1999:287)(...)".
*
"(...)Frente ao crescimento industrial e demográfico advindos com a aurora do capitalismo, este poder, que tinha por modelo a soberania, se torna ineficaz para administrar as transformações econômicas e políticas que aquelas mudanças implicavam na sociedade. Ocorre, deste modo, uma profunda transformação nos mecanismos de poder, que passa a se manifestar por meio de um poder positivo sobre a vida, não tendo mais a função de subtração de forças, mas a de produção e otimização das mesmas. Tal poder, totalmente atrelado ao capitalismo, sustentando-o e ao mesmo tempo sendo sustentado por ele, foi chamado de “poder de fazer viver e deixar morrer” (Foucault, 1999:294)(...)".
*
"(...)No entanto, não se trata de uma substituição repentina e completa dos antigos diagramas de poder, pois que estes não se sucedem como estruturas fixas e totalizantes, mas se remodelam a partir de relações de forças locais e variáveis o suficiente para transformar as paisagens de poder(...)".
*
"(...)Passam a se exercer de modo a invadir e abarcar duas dimensões vitais: o organismo com seus mecanismos individuais e a biologia com seus processos globais. Trata-se de duas tecnologias do biopoder que não coincidem nem em função, nem em mecanismos, mas que se complementam mutuamente, o que faz do biopoder uma grande tecnologia de dupla face (Foucault, 1988:131): uma voltada ao corpo-máquina, outra ao corpo-espécie ou à vida em geral da população (Foucault, 1988:131)(...)".
*
"(...)Centrados no corpo-máquina, surgem os procedimentos disciplinares de poder (Foucault, 1999:288), destinados ao adestramento, classificação, vigilância e treinamento dos corpos, com o propósito mesmo de ampliar sua docilidade, suas aptidões, sua força e utilidade. A multiplicidade dos corpos deveria ser educada e controlada, utilizada e canalizada para os fins determinados pelo capitalismo(...)".
*
"(...)A disciplina ‘fabrica’ indivíduos; ela é a técnica específica de um poder que toma os indivíduos ao mesmo tempo como objetos e como instrumentos de seu exercício (Foucault, 1987:143)(...)".
*
"(...)uma primeira aproximação desta relação entre vida e política com o campo da Psicologia que será estruturado a partir do final do século XIX: foi justamente esta “fabricação de indivíduos” que possibilitou a objetivação desse elemento individual do qual a Psicologia moderna vai se ocupar. No caso da Psicologia Social é interessante observar que esta objetivação ocupou-se inicialmente do estudo das multidões (Le Bon, 1895/1963) que passavam a ser entendidas como um mero agrupamento de indivíduos que deveria ser adestrado conforme as regras do poder vigente(...)".
*
"(...)A nova tecnologia que se instala se dirige à multiplicidade dos homens, não na medida em que eles se resumem a corpos, mas na medida em que ela forma, ao contrário, uma massa global, afetada por processos de conjunto que são próprios da vida, que são processos como o nascimento, a morte, a produção, a doença, etc(...)” (Foucault, 1999:289).
*
"(...)Por meio deste apanhado teórico das análises foucaultianas, vimos que o surgimento das técnicas disciplinares e reguladoras colocou em exercício um novo diagrama de poder que passa a intervir na própria vida. Assim, é com as estratégias de um biopoder – a partir do século XVII em suas duas facetas complementares – que a vida marca sua entrada na história. Trata-se do momento em que o problema da vida começa a problematizar-se no campo do pensamento político, da análise do poder político (Foucault, 1999:288)(...)".
*
"(...)Trata-se da entrada dos fenômenos próprios à vida da espécie humana na ordem do saber e do poder – no campo das técnicas políticas (Foucault, 1988:133), isto é, um funcionamento de poder regido por um fazer viver começou a se fazer presente quando a vida biológica dos indivíduos e das populações tornou-se visível e problematizável. Tal funcionamento não deixou de pôr em movimento estratégias que buscavam controlar a vida, com o propósito de apropriar-se dela completamente(...)".
*
"(...)Não é que a vida tenha sido exaustivamente integrada em técnicas que a dominem e gerem; ela lhes escapa continuamente (Foucault, 1988:134)(...)".
*
"(...)E quando, como mostrou Foucault, o Estado, a partir do século XVIII, começa a incluir entre suas tarefas essenciais o cuidado da vida da população, e a política se transforma, assim, em biopolítica, é antes de tudo através da progressiva generalização e redefinição do conceito de vida vegetativa ou orgânica (que coincide agora com o patrimônio biológico da nação) que ele realizará sua nova vocação (Agamben, 2000:182)(...)".
*
"(...)A própria noção de vida deixa de ser definida apenas a partir dos processos biológicos que afetam a população. Vida agora inclui a sinergia coletiva, a cooperação social e subjetiva no contexto de produção material e imaterial contemporânea, o intelecto geral (Pélbart, 2003:83). Foi o conceito que Agamben, retomando da Grécia Antiga, nomeou Bios (Agamben, 2000), que implica uma vida qualificada, uma maneira de viver exclusiva de um grupo, totalmente singular(...)".
*
"(...)A vida, enquanto um fluir de intensidades que se desdobram em sempre novas intensidades, é potência que quer sempre abraçar cada vez mais potência. Isto significa que a vida é pura potencialidade, eterna força produtiva, capacidade criadora, força em contínua re-invenção(...)".
*
"(...)Uma vida..., como traz Deleuze em seu último escrito (Deleuze, 2002), é devir, diferenças livres, contradições em convivência. U ma vida é o habitat de forças movediças que se agitam velozmente em todas as direções, é a morada de movimentos e potências, o lugar de relações, de disputa entre vetores, de linhas de fuga e dinâmica mutacional. Ali os elementos existentes são forças, fluxos advindos do caos, do puro acaso, é energia, matéria intensa não formada. Ali habitam singularidades livres, anônimas, nômades, impessoais e pré-individuais que dão à vida toda a potência a partir da qual consegue produzir e dar consistências às mais diversas formas de existência. Isto é, a vida ao ser constituída por aqueles elementos, adquire toda a potencialidade que a faz criar sempre e o que a vida inventa são modos de existências, são formas de vida, maneiras de se colocar diante do mundo(...)".
*
"(...)Podemos dizer que o que une vida e resistência é a potencialidade, a multiplicidade, o devir sempre inventivo. Dessa inversão apontada por Deleuze, colocando a resistência e a vida como primeiras num campo social, agora se pode concluir que as resistências não surgem contra um poder, elas não são simples reações, mas aquilo a que o poder abomina e não cansa de tentar capturar, fisgar, formatar, esquadrinhar, rotular, segmentarizar... Se as resistências estão contra algo, é só num segundo momento, quando o poder surge se voltando contra elas: o poder é, portanto, eminente e necessariamente reativo(...)".
*
"(...)A vida como potência de metamorfose que escapa à política que a quer dominar configura propriamente, uma política(...)".
*
"(...)Dizem Deleuze e Guattari (1996:90) que tudo é política, seja macro, seja micro, mas trata-se sempre de uma questão política. Insistem, no mesmo texto, que numa sociedade, os fluxos e as linhas de fuga têm sempre primazia, as reterritorializações, como operações próprias do poder, estão sempre em suas pegadas, tentando estancar as vertentes desta matéria da vida, dos devires e das singularidades advindas do caos(...)".
*
"(...)Há, portanto, uma política calcada nos elementos já formados, nas monumentalidades visíveis ou audíveis socialmente, política que parte de unidades ou territórios totalizantes e transcendentes e a elas pretendem chegar, pois difícil perceber as micro revoluções e diferenciações que latejam nos interstícios dessa rigidez. Aliás, são elas que mais a atormentam. Falamos aqui das macropolíticas, as políticas de uma modelização, de uma produção de subjetividade completamente alienada (Guattari & Rolnik, 2000:129). As macropolíticas atuam no sentido do assentamento de linhas de segmentarização, que, ao contrário das linhas de fuga, dispõem de processos que recuperam as criações e diferenças que irrompem no social, decifrando-os, segmentarizando-os, de forma a transformá-los em normas ou modelos subjetivos(...)".
"(...)Por outro lado, existe uma outra política, bastante sensível àquelas palpitações, é a política dos fluxos e das intensidades, a micropolítica. Esta política, enquanto variação e diferenciação contínua, uma vez que está atrelada aos movimentos imanentes das singularidades e da própria potencialidade. Toda problemática micropolítica consistiria exatamente em tentar agenciar os processos de singularidade no próprio nível de onde eles emergem. E isso para frustrar sua recuperação pela produção de subjetividade capitalística (Guattari & Rolnik, 2000:130)(...)".
*
"(...)O perigo em política está na desconsideração da outra possibilidade, em só conseguir observar a macropolítica ou somente a micropolítica, pois nenhuma existe sem a outra(...)".
*
"(...)É a prudência que parece ser sublinhada na política pensada por Deleuze e Guattari, uma vez que não está disposta a excluir nem a macro, nem a micropolítica. Ela não trata de formatar, de esquadrinhar, de estancar nem de dominar, mas de tentar responder: quais linhas estão em jogo em certa composição de forças? Quais são as linhas de fuga, de liberação de vida e quais são as linhas de segmentação que a aprisionam? O que permite criar e o que faz alienar? Quais os perigos que cada uma delas coloca? É o caso de ver, num determinado campo, os modos de produção de subjetividade, se estão se dando no sentido da alienação e dominação ou se, ao contrário, estão ativando novas produções, criando modos que não estejam submetidos a modelos transcendentes de existência(...)".
*
"(...)Uma preocupação é crucial: aquela que diz respeito à vida. Isto justifica o fato de haver, sim, certa tendência, pois importa potencializar as linhas de fuga, uma vez que é através delas que a vida pulsa livremente. Conseqüentemente, importa distanciar-se das organizações e estratificações, porque, segundo vimos acima, ali a vida está aprisionada, despotencializada, sem conseguir manifestar diferenciações. Como se pode ver, ativar um lado é necessário, o micropolítico, já que ali a vida tem mais liberdade e potência para se diferenciar e criar sempre. No entanto, ressaltamos que, se é a vida que importa à política, é a vida enquanto aquele segundo conceito que vimos anteriormente: vida como potência, como imanência, que não se cansa de inventar novos modos de existência e não, obviamente, aquela vida nua, tomada como sobrevivência e mero fato biológico. Podemos ver, com isso, a nova imbricação entre a política e a vida: esta agora se mostra como aquilo a que a política deve priorizar e potencializar, não mais aquilo a que a política capturava e estratificava enquanto biopolítica(...)".
*
"(...)Trata-se, deste modo, de fazer dessa invenção permanente uma política que seja também ética. Assim, se a vida é potência de metamorfose e se nossas políticas conhecidas por biopolíticas vêm sempre tentando estancar a potencialidade dessa vida, então se trata de fazer disso mesmo uma política para que, com a força que ela tem de criar novas formas, faça com que possamos resistir à submissão a modelos transcendentes de vida(...)".
*
"(...)O papel do intelectual não é mais o de se colocar um pouco na frente ou um pouco de lado para dizer a muda verdade de todos; é antes o de lutar contra as formas de poder exatamente onde ele é, ao mesmo tempo, o objeto e o instrumento: na ordem do saber, da verdade, da consciência, do discurso (Foucault, 1979:71)(...)".
*
"(...)A psicologia social funcionaria como uma máquina de guerra no sentido de inventar formas de resistência aos modos de assujeitamento da experiência subjetiva contemporânea através de uma constante desestabilização dos equilíbrios estabelecidos (Silva, 2005:126). Assim, sendo o campo social aquele que a psicologia social tem para pesquisar e operar, é importante considerá-lo não apenas produzido por relações de poder, como vimos na primeira cena, mas também por relações menos visíveis que põem em jogo a própria vida, com todas as suas conexões com os fluxos de intensidade que não deixam de se distanciar do poder ao criar sempre formas de vida inteiramente singulares(...)".
*
"(...)É assim que a psicologia e a política se configuram em territórios que se cruzam, se conectam e se atravessam continuamente, deixando de ser excludentes, afinal, cada uma destas regiões do pensamento convoca a outra quando estão implicadas numa posição de combate em favor da vida(...)".
*
Fonte/Artigo Completo: Revista de Psicologia Política